
As emoções fazem parte da nossa natureza humana. Elas são espontâneas, surgem sem que possamos escolher o que ou quando sentir, e todas carregam mensagens importantes sobre quem somos e o que valorizamos. Mas, às vezes, a intensidade com que aparecem pode nos tirar do eixo — e é aí que entra a regulação emocional.
Regular as emoções não significa controlá-las ou reprimi-las. Significa aprender a reconhecê-las, entender o que estão tentando nos comunicar e encontrar maneiras de lidar com elas de forma mais saudável.
Podemos pensar nas emoções como um semáforo interno, que nos ajuda a perceber quando é hora de seguir, prestar atenção ou parar.
Quando a emoção está em um nível leve, algo entre 1 e 2 em uma escala de 1 a 5, o sinal está verde: podemos seguir normalmente, atentos ao que sentimos, mas sem que isso interfira em nossas decisões.
Quando a emoção chega a um nível 3, é como se o semáforo ficasse amarelo — um sinal de alerta. É hora de observar o que está acontecendo por debaixo da pele, ouvir as emoções e acolher o que elas têm a dizer.
Já quando a intensidade chega ao nível 4 ou 5, o sinal está vermelho. Esse é o momento de parar e cuidar. Nessas intensidades, as emoções, embora importantes, podem comprometer nossa clareza e nos levar a agir de maneiras impulsivas, que nem sempre correspondem aos nossos valores.
Sabe aquele instante em que, tomado pela raiva, você diz algo de que depois se arrepende? Ou aquele momento em que a tristeza parece te paralisar? Isso acontece porque, nessas intensidades, nossa capacidade cognitiva fica ofuscada pela força da emoção. E está tudo bem — o que importa é aprender a reconhecer esses momentos e recorrer a estratégias de regulação emocional.
Existem várias formas de regular as emoções, e uma das mais eficazes é voltar ao corpo e ao momento presente. Usar os sentidos pode ser uma ponte para a calma.
Você pode, por exemplo, tomar um banho quente ou frio e focar na sensação da água sobre a pele, ouvir uma música que lhe traga conforto, assistir a algo leve, praticar atividade física, caminhar ou simplesmente respirar com atenção.
A respiração, aliás, é uma das ferramentas mais simples e poderosas de regulação. Colocar as mãos sobre o abdômen e inspirar profundamente, deixando o ar sair de forma lenta e suave, ajuda a acalmar o corpo e, aos poucos, a mente também se aquieta.
Quando o corpo se acalma, podemos então refletir sobre o que aconteceu: o que despertou aquela emoção? O que ela está tentando te contar sobre o que é importante para você? E, só então, decidir se é necessário agir de alguma forma.
Sentir faz parte do processo de estar vivo. Aprender a sentir — e a se relacionar com o que sentimos — é o que nos permite viver de maneira mais consciente, autêntica e cheia de significado.
© 2025-2026 Larissa Monieli Cardoso. Este site não oferece tratamento ou aconselhamento imediato para pessoas em crise suicida. Em caso de crise, ligue para 188 (CVV) ou acesse o site www.cvv.org.br. Em caso de emergência, procure atendimento em um hospital mais próximo.